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  Quando Oliver Stone surgiu com seu "Assassinos por Natureza" ("Natural Born Killers") muitos o acusaram de estar glorificando e incentivando a violência, num filme onde a mesma era mostrada de forma intensa e crua. Seus protagonistas eram uma espécie de Bonnie e Clyde modernos, dois psicóticos que percorriam os Estados Unidos fazendo vítimas ao acaso, com requintes de crueldade. Apesar disso, com a ajuda de uma imprensa inescrupulosa e sensacionalista, a dupla acaba tornando-se célebre, verdadeiros heróis nacionais, com rostos estampando capas de revistas e camisetas, suas "aventuras" ajudando a vender milhares de jornais, dando picos de audiência em matérias na TV.
  O que Stone pretendia na realidade não era incentivar potenciais assassinos a saírem de casa e começarem a agir, mas sim traçar um painel da sociedade moderna, onde tudo torna-se produto de consumo. Segundo o próprio, a idéia veio de uma notícia de jornal, acompanhando a trajetória de um assassino pego pela polícia. Ele afirma ter lembrado dos tempos de criança, quando histórias sobre assassinos soltos pelo país assustavam toda a população, mas agora não notava medo nem apreensão, mas sim um prazer mórbido, uma curiosidade sinistra em saber qual seria a próxima vítima, como o assassino agiria a seguir, vendo também, na mídia em geral, uma vontade cada vez maior de explorar essas desgraças e satisfazer um público ávido por sangue e histórias bizarras.
  É a isso que "Assassinos por Natureza" se propõe, mostrar uma sociedade que está gradualmente se perdendo em seus valores, na busca do lucro fácil, a qualquer preço, tudo vira um produto nas prateleiras do supermercado, até mesmo a morte...